
A Escola Vidal de Negreiros, em Afogados, palco da agressão a aluna na semana passada, tem registro até de violência praticada contra educadora
Assaltos constantes, jovens usando drogas na calçada, secretaria com janela de atendimento virada para a área externa, brigas entre alunos, professora sequestrada por ex-aluno. Tudo isso faz parte da rotina da Escola Estadual Vidal de Negreiros, localizada no bairro de Afogados, Zona Oeste do Recife. Na última quinta-feira, a unidade foi palco de uma agressão premeditada, que extrapolou os limites do aceitável e chocou a comunidade escolar. Uma jovem de 15 anos teve o rosto cortado com estiletes e a ponta de um compasso por outras sete colegas, dentro de sala de aula. O motivo? Era considerada "metida" demais. Mas o fato, dizem os educadores, não pode ser avaliado de forma isolada. Até porque existem outros tipos de violência permeando a escola, que acabaram culminaram no caso da semana passada.
Mães das sete adolescentes que machucaram com estiletes a colega participaram de reunião na escola ontem Foto: Juliana Leitao/DP/D.A Press
Ontem a equipe do Diario passou a tarde na Vidal de Negreiros. Foi possível observar a presença de usuários de drogas em frente à escola, colher relatos de assaltos nas proximidades da unidade e de brigas entre alunos dentro de sala. Inclusive, em 2008, a professora Silvânia Godoy foi vítima de um sequestro-relâmpago praticado por um ex-aluno. No mês passado, o rapaz pulou o muro da escola e voltou a ameaçá-la. Durante as entrevistas feitas com funcionários, alunos e pais de estudantes, uma palavra em comum: medo.
"Nós trabalhamos aqui com medo. Não há um policiamento sequer. Agora é que chegaram dois policiais, por conta da repercussão ocorrida pela agressão à menina", garantiu uma funcionária da unidade, que não quis se identificar. A filha dela não quer mais ir à escola.Pela manhã, a gerente de Desenvolvimento Humano, Diversidade e Cidadania da Secretaria de Educação do Estado (SEE), Marta Lima, visitou a escola e se reuniu com professores e representantes da direção. À tarde, a direção da escola chamou as mães das sete alunas agressoras para conversar sobre o ocorrido.
"Estamos dando toda a assistência pedagógica e psicológica às famílias das alunas envolvidas. Entre as medidas que serão tomadas está a ampliação deações de palestras de combate à violência na escola", afirmou a gerente educacional. Ela informou que a família de uma das meninas que assumiu a autoria das agressões já pediu a transferência dela para outra unidade. As outras estudantes, por enquanto, permanecem assistindo as aulas normalmente. O caso está sendo investigado pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). Hoje o delegado Thiago Uchôa deve começar a ouvir os depoimentos das envolvidas na agressão. Caso a violência seja confirmada, elas podem receber desde uma advertência até uma internação na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).
A violência praticada contra a garota é classificada como bullying, já que ela vinha sendo ameaçada há mais de um mês. "Essa agressão é reflexo da sociedade, que está mais violenta. O corpo, hoje em dia, é o que há de maior valor para as meninas. Por isso os golpes foram dirigidos para o rosto", explicou a psicóloga Bruna Vaz. A educadora da Fafire Joelma Correia acredita que as jovens devemter dado pistas antes. "Acredito que ela já vinha sofrendo com o bullying. Os professores e diretores precisam estar atentos a isso". (Mirella Marques)
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